O pequeno Bruno e o mistério do cadáver enterrado

No final dos anos 90, em uma promissora cidade do interior de São Paulo, havia uma área arborizada, que outrora havia sido prometida ser transformada em um bosque para os moradores que ali viviam. Mas, de fato,  nunca saiu do papel dos prefeitos que ali administraram.

Na cidade do sanduíche, como também é conhecida, o pequeno Bruno e seus amiguinhos brincavam por ali, usando a imaginação e transformado o local em uma floresta, cheia de perigos e aventuras. Era uma época em que as crianças aproveitavam suas infâncias, se sujando e aprendendo com cada ralado no joelho o verdadeiro prazer de brincar.

Em um dia aparentemente comum, quente e com o Sol já começando a se despedir no horizonte, Bruno e seus amigos compartilhavam histórias assustadoras e algumas lendas urbanas, criadas para fantasiar as mentes dos pequeninos.

Quando a Lua começou a entrar na história, junto com ela veio um carro preto, com os vidros escuros e as luzes apagadas. Muito estranho: todos pensaram.

A curiosidade falou mais alto e ao invés de irem embora, todos ficaram ali, escondidos para saber o que estava acontecendo.  Pois bem, com tantas histórias fantasiando em suas mentes criativas, as crianças viram um homem e uma mulher saírem do carro, abrirem o porta-malas do veículo e retirarem dali algo aparentemente grande e pesado, envolvido por um pano que, naquela distância, lembrava um cobertor ou um lençol velho.  “É um corpo!”: sussurrou um deles.

- Como assim?

- Um corpo morto?

- Não, burro, só está dormindo!

- É claro que está morto, seu zé ruela!

“Zé ruela” era a maneira carinhosa de ofender os amigos naquela época.

E interrompendo o papo entre eles –  o que agora todos já tinham chegado à um acordo de que era realmente um corpo – ele estava ali, na terra, atrás do campinho de futebol. Os dois estranhos pegaram uma pá. O homem começou a cavar e a mulher ao lado, aos prantos.

- Eles vão enterrá-lo ali?

- Vamos chamar a polícia?

- Parece que sim. Espera um pouco. Anote a placa!

- Anotei.

- Na onde?

- Na terra. Estou sem papel.

- Nossa, fica repetindo mentalmente então, até chegarmos na sua casa e anotarmos.

Depois do buraco feito, o corpo foi colocado ali dentro com muito cuidado. Em seguida, enterrado.

Depois que o veículo foi embora, Bruno e seus amigos desceram de trás das árvores que ficavam em cima do barranco de areia e foram às pressas para lá. Todos conferiram de perto. Desesperados com o que acabaram de presenciar, eles foram embora correndo, em direção à casa de um deles, a que ficava mais próxima.

E o que tinha se transformado em um verdadeiro “CSI” na versão infantil, as crianças voltaram com uma pá e, sem ao menos pararem para pensar no que de fato poderia estar acontecendo ali, começaram a cavar.

- Cara, que sinistro isso tudo!

- Vamos desvendar o mistério agora!

A cada centímetro que o buraco aumentava, crescia também a ansiedade e o medo de encarar o que estava envolvido pelo lençol. Foi mesmo um homicídio? Era um conhecido nosso? Era uma mulher? Será que estão neste momento roubando a casa dele? Foi o amante que matou o marido da mulher? Foi a mulher que matou a amante do marido?

Muitas perguntas surgiam e rondavam em suas imaginações.

Quando o tecido surgiu, eles o puxaram para fora. Agora restava saber: quem mexeria primeiro?

- Vamos lá gente, todo mundo junto. No três!

- Um, dois, três…

E quando abriram:

- Jesus!

- Não acredito!

- Andem, vamos colocar de volta e ir embora. Chega de aventura por hoje.

E eles enterraram o corpo novamente. Deixaram do jeitinho que estava antes e foram embora para suas casas, já imaginando qual seria a próxima aventura.

- Cara, ainda não acredito que era só um cachorro…

Bruno Freitas

Não aprendi dizer adeus

Bruno Freitas

Pego emprestado o título daquela famosa música brasileira porque não há frase melhor para descrever o que vou compartilhar com vocês agora.

Minha mãe, minha tia, amiga, companheira, conselheira, minha base, meu alicerce. Ela foi muitas coisas para mim. Já fazem dois anos que ela se foi e nos deixou órfãos. Minha tia Helena, irmã da minha mãe não chegou a se casar e nem teve filhos. Mas durante todo o tempo em que ela esteve ao nosso lado ela foi uma mãe para todos nós, inclusive para a minha mãe mesmo, que foi caçula de três irmãs. Meu avô materno eu não conheci. Ele se foi um mês após o meu nascimento – em março de 1988. Por coincidência ou não, minha tia também faleceu no mês de março. O terceiro mês de cada ano me deixa extremamente triste e pensativo. Já meu outro avô, bem, ele está vivo, porém, não visita a minha casa há 14 anos. Eu visito ele e a minha avó sempre que possível, mas essa má vontade dele para conosco me aborrece.

Eu não costumo falar de mim ou da falta que minha “tia Pila” me faz. Essa é uma rara exceção. Confesso que não superei ainda. Ah, tia Pila é o apelido dela. Diferente, não? Sempre a chamamos assim. Que falta ela me faz. Já chorei muito, mas sempre tem alguma ocasião ou outra que me escorre uma lágrima.

Graças à Deus e aos meus pais, nunca faltou comida no meu prato um dia sequer, mas ela foi fundamental para o meu desenvolvimento profissional e do meu caráter. Na minha adolescência ela sempre alimentou os meus sonhos. Na época eu queria ser jogador de futebol e ela me ajudava nas minhas viagens para campeonatos, vale transporte e as mensalidades da escolinha de futebol em Bauru-SP. Além de ter me levado para conhecer o mar e me ajudado a fazer tantos cursos. Isso comigo, que poderia ficar horas aqui relembrando tudo o que ela fez e representa. Sem contar o que ela já fez pelos meus irmãos, meu primo, minha mãe e minha sobrinha. Em casa, naquela época, comigo e com meus outros dois irmãos, meus pais não tinham condições para isso.

Minha família sempre foi a base da minha vida. Muitas vezes eu não me considero o melhor filho do mundo, não tenho um gênio dos mais fáceis, mas sempre me esforço e dou o melhor de mim para orgulhá-los. Todos os dias me pergunto se conseguirei atingir esse objetivo.

Há um livro que chama-se Perdas Necessárias, de Judith Viorst (Melhoramentos) Em síntese, ele reflete sobre nossas perdas constantes e nos ensina a alcançar a maturidade e o equilíbrio psicológico. O livro mostra as faces das consequências de uma perda e indica os rumos de nossas vidas após uma morte e indicado que isso faz parte de um processo natural de crescimento, amadurecimento e evolução do ser humano.

Primo Wlliam, irmãos Alexandre e Matheus, minha mãe, meu tio avô Izaias, minha avó Helena, minha tia "Pila" e eu. (Arquivo Pessoal 2009)

Sinceramente não concordo com a autora e com livros assim. Não enxergo desta maneira e não vivenciei desta forma. A perda dela não me acrescentou em nada. Não foi fonte de crescimento, nem amadurecimento pessoal, muito menos espiritual. A única coisa que a morte dela me trouxe foi tristeza e saudade. Preferiria perder um braço ou uma perna no lugar de qualquer pessoa da minha família e daqueles que eu amo. Quem não faria o mesmo pela vida de um filho, por exemplo. Não é?

Há anos atrás ela sofreu um AVC (Acidente Vascular Cerebral) e teve algumas sequelas. O lado esquerdo do corpo nunca mais foi o mesmo, perna, braço, mão… Foram muitos anos de fisioterapia, acupuntura e tantas coisas que vai ser impossível de lembrar. Tudo isso até o seu último dia de vida, uma sexta-feira. Desconfio que a força que ela tinha vinha de nós, dos sobrinhos que já eram filhos há muito tempo, e a Giovana, minha linda sobrinha, filha do meu irmão mais velho. O amor que minha tia tinha por ela não dá para descrever aqui.

Ela também sofria de uma profunda tristeza, uma depressão que já se arrastava há anos. Chorava e se emocionava por qualquer coisa. Essas cenas ainda não saíram da minha mente. Nosso último contato foi apenas algumas horas antes dela morrer, vítima de uma complicação respiratória. Eu cheguei do trabalho e jantei com ela e minha avó, como já era de costume de todos os dias. Era o último ano da minha faculdade de jornalismo e, na época, iniciava-se as preparações e a correria do trabalho de conclusão de curso, o TCC.

Se eu previsse o futuro, jamais teria saído dali  naquela hora. Era a minha segunda casa. Montei na moto e ela ali, varrendo a calçada e me perguntando se eu iria “arrumar” uma namorada. Eu ri e respondi que hoje em dia não era fácil. Ela deu risada, daquele jeito gozador dela e eu parti para aula. Cheguei em casa por volta das 22h, não me lembro ao certo, foi quando descobri que minha mãe, minha outra tia e meu irmão estavam no hospital. Naquele momento ela já estava sem vida, mas eu, na minha inocência, montei novamente na moto e corri para lá. Com a minha fé, orava para que ela não nos deixasse. Mas deixou. Chorei como se o mundo não tivesse o amanhã. Só quem perdeu alguém para entender essa sensação. Hoje eu entendo que o corpo dela se foi, mas que o espírito, suas lembranças, seus conselhos e feitos por mim, continuam bem vivos dentro do meu peito e nos meus pensamentos.

Durante todo o ano de 2010 eu adquiri uma angústia sem fim, somando com a preocupação e a ansiedade do TCC, ganhei alguns quilos e jamais consegui me permitir acreditar que ao subir no palco e me formar, ali, na plateia, uma das pessoas que mais me incentivaram à ser o que sou hoje não estaria ali, me vendo realizar um sonho. No dia da formatura, em janeiro de 2011, foi uma sensação de alegria e alívio, por ter alcançado o meu grande objetivo e ao mesmo tempo um vazio, uma lacuna que jamais será preenchida, já que ela não estava ali para eu poder abraçá-la e dizer o quanto ela foi e sempre será importante para mim.

Carrego hoje comigo – já que meu pai não me batizou com o sobrenome da família de minhas mães, o meu nome profissional, que é Bruno Freitas. Uma simples homenagem que faço para mostrar que onde estou hoje, deve-se muito à essas grandes mulheres.

Minha tia e eu, em 1995, no Bosque Comunitário de Bauru-SP (Arquivo Pessoal)

Eu procuro acreditar que, de alguma forma, ela me escuta toda vez que eu converso com ela, seja em voz alta, quando estou sozinho ou no silêncio dos meus pensamentos. Acredito também que ela possa sentir a falta que eu sinto dela. Tenho certeza que um dia essas minhas dúvidas serão respondidas e que minha saudade será saciada. É isso!

Caim e Abel | O que a Bíblia não contou

Seja pelo fato de ser jornalista ou não, eu adoro uma boa história. Sou fã da literatura grega e nórtica. Minhas histórias preferidas são a Ilíada e a Odisséia, de Homero e as de Thor e Odin.

Mas a proposta deste post é compartilhar uma das histórias mais intrigantes do livro mais antigo do mundo – a Bíblia. Dentre tantas histórias que eu não canso de ouvir e de ler, como as do “filho pródigo”, de Noé, de José do Egito, de Moisés, de Davi e Golias e a principal de todas, a de Jesus. A passagem bíblica que e eu gostaria de compartilhar e discuti-la com vocês é a do quarto livro de Gênesis, que vai do versículo 1 ao 16 – Leia e confira.

Resumidamente – Caim e Abel eram irmãos, filhos de Adão e Eva, que naquele momento, já não habitavam mais as terras do paraíso. Em uma época que Deus conversava com os homens, eles trabalhavam e retiravam do solo e da água todo o sustento da família e do rebanho. Segundo as escrituras, Caim cultivava o solo e Abel as ovelhas. Cada um ofertava à Deus o que possuía e cultivava. Para Deus, as ofertas de Abel, que eram os cordeiros de seu rebanho, eram bem visto por Deus, mas as oferendas de Caim, frutos e raízes do solo, não eram consideradas puras pelo Criador. Obviamente, Caim não ficava nada contente com aquilo e por isso, invejava o irmão e vivia cabisbaixo.

Um dia Caim chamou seu irmão Abel para que fossem ao campo. Foi onde eles discutiram e Caim o matou. A Bíblia não entra em detalhes, então não podemos imaginar o que houve exatamente. Mas seguindo os fatos, ao perceber o sumiço de Abel, Deus questionava Caim sobre o desaparecimento de seu irmão. Caim, por sua vez não teve a coragem de dizer a verdade. Deus, que já sentia o sangue de Abel derramado no solo, amaldiçoou Caim e este fugiu e foi habitar uma terra distante.

Para transcendermos sobre o tema em questão, é necessário nos lucidarmos do contexto em que eles viviam. Caim e Abel eram os primeiros filhos de Adão e Eva que, segundo a Bíblia, foram o primeiro casal humano na Terra. Logo, a morte era algo desconhecido por eles. Os animais perderem suas vidas para servirem de alimento e oferenda era comum, mas conforme escrituras da Bíblia, os homens viviam muitos anos, bem diferente dos dias de hoje. Para ter noção disso, Adão viveu novecentos e trinta anos e gerou muitos descendentes (Gênesis cap. 6 v. 4-5).

O que essa longevidade mostra é que seria difícil um humano, naquela época, imaginar que um golpe de pedra na cabeça poderia tirar a vida de outro homem. O que você acharia, caso obtivesse uma vida que beirasse uma imortalidade, comparado com a média de vida que atingimos hoje?

Se naquela época nenhum homem havia perdido a sua vida, como poderia Caim imaginar que o resultado de seu golpe contra Abel resultaria em sua morte? Como ele poderia ser culpado de tanto ódio, vingança e de instinto assassino?

Comparo este fato com o de uma criança, inocente e com pouco tempo de vida que, sem conhecer os perigos que a cerca e o que pode colocá-la em perigo, se aproxima cuidadosamente de uma tomada. Sua mãe não está por perto e ela insere na tomada um pequeno objeto metálico e leva uma descarga elétrica. A criança com certeza nunca mais repetirá o ato porque percebeu que aquilo teve uma reação desagradável e ela conheceu as consequências de sua atitude – a dor.

Imagino que com Caim possa ter ocorrido algo semelhante. Ele conheceu a morte humana ali, com a imagem de seu irmão caído, desacordado, sem vida. O medo e o conhecimento das consequências faz você respeitar os seus limites.

Caim então teria sido injustiçado na Bíblia? Talvez. Algum dia iremos descobrir? O que você acha a respeito?

Não sou dono da verdade, apenas gosto de discutir ideias e argumentar com quem também tem opiniões. É isso!

O homem que não gosta de mulheres

Foi no momento em que essas palavras se debatiam na minha mente, que eu resolvi compartilhá-las com quem acredita em uma coisa muito rara de se encontrar hoje em dia: a-mi-za-de!

Agora eu peço: se você tem algum tipo de repúdio sobre homens e mulheres que optam por se relacionarem com pessoas do mesmo sexo ou se você acredita que eles não podem viver na mesma sociedade em que você vive, a sua leitura acaba aqui. Volte ao seu mundo.

Não vou dizer que sou a favor nem contra a homossexualidade, nem vamos transcender sobre teorias, dogmas e escrituras religiosas, porque não é esse o propósito do texto. Eu prezo e defendo a tese de que todos devem procurar a felicidade.

Ok, vamos lá…

Eu o conheço há cerca de 10 anos. Até hoje lembro que eu, com meus 13 anos de idade, o chamava para jogar futebol na rua, mas ele gostava de ler, de estudar, de assistir filmes, seriados e de brincar com as meninas que moravam em sua rua.

No ensino médio ele paquerava as meninas, mas alguns garotos sempre colocavam apelidinhos constrangedores nele. Todos os anos era a mesma coisa. Não vejo motivos para aquelas crianças serem tão malvadas. Creio que isso é resultado do que se ouve dentro de casa, dos pais, da televisão. Naquela época não havia internet. Acredite, sobrevivemos.

O tempo passou e todos daquele círculo de amizades já tiveram seus primeiros relacionamentos. E até praticamente ontem, o então taxado de virgem por todos, era realmente virgem.

Quando mais jovem, eu acreditava que o “problema” era que ele não tinha “conhecido” uma mulher e que se isso acontecesse, ele enfim, se encontraria.  Não com o que de fato deveria, com a realidade e a verdade que ele sempre buscava, mas sim com o que nós queríamos que ele fosse.

A igreja evangélica no qual ele fazia parte foi um pilar que o manteve firme atrás de uma mentira que ele mesmo criou para fugir de si mesmo, por vários anos. Principalmente com o medo de não ser aceito. Um refúgio por querer ser “igual” à todos. Afinal, se considerar o único diferente diante todos que se convive não é fácil. Ainda mais para uma criança que está em fase de crescimento e amadurecimento. Aceitar o que de fato nós somos, nem sempre é fácil. Precisa-se de tempo e ajuda.

Lembro como se fosse ontem, ele querendo conversar comigo, dizendo que o assunto era sério e que era uma novidade que eu deveria saber. Fui, e na calçada eu o ouvi dizer: “Mano, não é fácil dizer isso, mas eu confio em você e preciso dizer isso: Eu sou gay!”

Sim, eu tive uma crise de risos. Eu não me aguentei de tanto rir. Foi engraçado justamente porque para mim, não era novidade alguma. Eu já sabia! O problema era o medo da aceitação, de ser visto com outros olhos, de perder os amigos e não ser aceito pelo que ele é. A amizade está acima disso.

Não vejo nenhuma mudança. Ele continua sendo um grande amigo, um bom irmão, um excelente filho e mantém o mesmo caráter correto que sempre teve. Ah, a única diferença é que ele gosta de meninos.

Em determinado momento da minha vida, eu julguei  pessoas sem antes mesmo conhecê-las. Errei! Mas ali, naquela noite, eu aprendi uma lição muito valiosa.

Ser “homem” de verdade, nada tem a ver com masculinidade, virilidade ou o fato de se relacionar com uma mulher. Não! Isso se mede pelas ações, pelo caráter, pela forma e a coragem com que se encaram as dificuldades que encontramos pelo caminho. Eu prezo, valorizo, admiro e tenho muito orgulho de tê-lo como um amigo-irmão. Ok, ele é gay, mas ele é muito mais homem do que muitos heteros que eu vejo por aí!

É isso!

@brunofreitasf5

Viver

Ah, como seria bom deixar de construir minhas eternas utopias,

algumas vezes criamos o avesso do avesso.

E a realidade acaba se tornando real demais, um destempero sem graça…

O que é mais difícil, encarar a vida ou fugir dela?

Sonhar ou acordar para a realidade?

Mudar ou ser você mesmo?

O que é real?

Eu sou real, a vida é real, como podemos ter certeza se a própria certeza as vezes é incerta!

Algumas pessoas vivem das sombras dos outros porque não enxergam a sua própria luz.

Existem momentos que inevitavelmente acabamos vivendo de rastros, porque não conseguimos traçar nossos próprios caminhos.

O bom da vida é viver, deixar viver.

Um dia não estaremos mais aqui, mas seremos lembrados pelo que somos, pelo que fizemos e por quem fizemos.

Ah, como seria bom traçar os caminhos da vida com um simples lápis e papel, tal qual as crianças fazem, se divertem, sonham…

“Quero ser médico(a), quero ser astronauta, quero ser jogador de futebol, quero ser modelo, quero ser bombeiro, quero ser jornalista, quero ser feliz…”

E a grande ironia da vida são os eternos desencontros…

Pessoas certas aparecem em momentos errados e pessoas erradas sempre acabam aparecendo nos momentos mais impróprios…

Mas com um pouquinho de paciência, todo mundo acaba se encontrando um dia!

@brunofreitasf5

A vida muda quando você está pronto para que ela mude.

Imaginação

Com seus olhos há me olhar, sinto que o horizonte há de ser finito.
Sinto que posso navegar por mares nunca descobertos.
Sinto que voar não é necessariamente impossível
E que sonhar não é privilégio dos que se embalam em descanso.
Posso ver mesmo com os olhos fechados
Posso ouvir quando não há som algum
Posso imaginar o que é inimaginável
Posso tocar o que minhas mãos não alcançam.
Pobre de mim, um sonhador que ilumina os encantos que imagina
E atravessa os caminhos que ainda não trilhei.
Pobre de mim, um sonhador que imagina o que há por vir da mesma forma que uma flor se despede de sua última pétala, aguardando o ensaio da próxima primavera.
Pobre de mim, um sonhador que vê a partida como um ponto de chegada.
E que desbrava o que ainda não é conhecido.
Sou um alguém que cai após terem lhe arrancado as forças…
Mas que se levanta após enxergar a vida que brota novamente de seu ser.
Pobre de mim, apenas um sonhador que lamenta ao ver o navio que parte,
Mas que se alegra ao ver no horizonte um novo que se aproxima.
Sou só mais um alguém que semeia com esperança de colher bons frutos.
Sou só mais um alguém que não se incomoda com seus medos.
Porque são eles que enobrecem e fortalecem o nosso espírito.
Pobre de mim, um sonhador que fecha os olhos
Que deixa escorrer as lágrimas
E que se permite sorrir
Nem que seja só mais uma vez.

@brunofreitasf5

Os olhos que você vê

Mais uma vez eu acordei às pressas, assim como tem sido todos os dias.

A vida se torna cada vez mais corrida e os momentos que consideramos bons ficaram cada vez mais curtos.

Mas hoje senti que foi diferente, pode parecer estanho e até mesmo perturbador, mas acordei sem saber se esse era apenas mais um dia ou se poderia ser o último.

Nunca sabemos quando isso tudo poderia ser visto de uma outra forma, com outros olhos, como se tudo fosse pela última vez…

Como seria a vida se assim o fizéssemos ao menos uma única vez?

Se soubéssemos que cada momento fosse o último…

Aquele bom dia, aquele café da manhã, o almoço.

Aquela conversa com pressa de acabar logo, aquela falta de interesse quando estamos ocupados demais para ouvir aquilo que o outro tanto precisava de um momento de nossa atenção.

Aquele beijo de boa noite, aquela discução boba com nossos filhos, pais, amigos e irmãos.

Os filhos que se partem, os pais que não retornam mais…

Os amigos que se foram sem termos a oportunidade de perdoá-los ou de pedir perdão.

As mágoas que não conseguimos apagar.

Como seria aquele simples até logo se soubéssemos que seria um adeus?

Se pudéssemos prever, sentir, aproveitar nossos últimos instantes, nosso último dia, o que faríamos?

Enlouqueceríamos ou nos tornaríamos sãos?

Fecharíamos os olhos para o mundo ou acordaríamos para ele?

O que pode ser o fim para uns, é apenas o início para outros, depende dos olhos que você vê…

Gostaria de sentir aquele perfume outra vez,

De ouvir sua voz,

Gostaria de dar aquele abraço que não dei,

De ter feito aquele elogio que por medo ou vergonha não pronunciei,

Aquele telefonema que não fiz,

Da injustiça que cometi.

Gostaria de ter dito que amava você!

Amava não, eu amo!

Esteja aqui ou em qualquer lugar, você é essencial para a minha vida, para o sorriso do meu rosto e para a alegria do meu viver.

Que seja essa a última vez ou apenas mais um dia…

A vida não é comum!

Não seja você também mais uma pessoa comum!

Nós somos especiais, só que nem sempre temos a oportunidade de ouvir isso, seja na palavra dita ou expressa por um olhar, um sorriso. Não digo pelos outros, mas pela nossa própria imagem refletida no espelho.

E procure sempre se lembrar, que da vida não levamos nada, mas nela, deixamos muito de nós.

E se hoje não for o último dia, que possamos enxergar nele um novo início.

É isso!

@brunofreitasf5

Refletindo sobre amor x paixão

Afinal de contas, será que sabemos diferenciar um sentimento do outro, entender como e por que a paixão e o amor despontam mais cedo ou mais tarde com cada um de nós? Como nosso organismo reage diante destes sentimentos? E como fazemos para perceber que, ao invés de fazer bem, um relacionamento está nos fazendo mal?

De onde surgiu…

Segundo o historiador francês Jean Courtin do Centro Nacional de pesquisa Científica da França, o homem demonstra sinais de paixão desde a pré-história. Isso há mais de 40 mil anos quando o homo sapiens demonstrava sua sensibilidade artística ao pintar cavernas e promover funerais à seus mortos. Segundo o historiador, esse sentimento sempre fez parte do inconsciente e da característica humana.

A paixão é um sentimento marcante, profundo, avassalador, que mexe com a química do nosso corpo e que funciona em nosso organismo de uma forma que poderia se assemelhar a uma potente droga que vicia e que pode causar dependência. Não que isso seja necessariamente bom ou ruim.

A psiquiatra italiana Donatella Marazziti, da Universidade de Pisa, relata em uma de suas pesquisas que substâncias cerebrais são liberadas quando estamos apaixonados. Fato que nos faz compreender as noites mal dormidas, a perda de apetite, a falta de atenção etc. Esses atos, muitas vezes imperceptivos, são decorrentes da alta produção da dopamina e a norepinefrinasubstâncias que são produzidas em proporções maiores quando uma pessoa está apaixonada.

Apesar de ser um sentimento muito desejável por todos, algo que transforma vidas e erradia o ser humano, a paixão biologicamente não dura para sempre, isso seria impossível. Em média ela dura em torno de dois a três anos, explica o psiquiatra James Leckman da Universidade Yale, nos Estados Unidos, especialista no assunto. Ele também conta que isso não é uma regra, pois tanto o ser humano quanto seus sentimentos são imprevisíveis.

O ser humano pode ser avaliado mais facilmente quando está apaixonado pois é nessa hora que ele está em constante sintonia com o seu lado psicológico a flor-da-pele, o que poderia se tornar um indicador de sua saúde mental. Revelando todas as suas verdadeiras características, tanto boas quanto ruins, se são atenciosos(as), românticos(as), carinhosos(as), violentos(as), possessivos(as), ciumentos(as) e ou agressivos(as).

Quando se transforma…

Sabendo que a paixão é um sentimento passageiro, com o tempo e a aproximidade dos casais, de suas afetividades, suas cumplicidades, esse sentimento vai sofrendo o que poderíamos considerar uma “metamorfose”, ele fica com mais “cara” de família, algo que está além do desejo sexual e da atração física.

O amor é algo que nos permite pensar sem ter impulsos, é um sentimento que não tem validade é algo que pode começar com um casal de 20 anos e continuar ali por muitos e muitos anos. Um sentimento que pode durar o tempo de uma vida.

Tenho amigas que namoram desde os 13 anos e outras que aos 22, nunca namoraram. Passamos a vida inteira (também posso me incluir nessa, se você me permitir) procurando o amor verdadeiro, um companheiro ou uma companheira, não para que nos complete, mas para que nos acrescente aquele algo a mais que sempre sentimos falta.

Existem pessoas que nunca encontram um verdadeiro amor por que não definiram de fato suas reais intenções, não com os outros, mas consigo mesmas. Outras por que simplesmente não enxergaram quem poderia ou pode estar bem próximo. Entra neste caso o conhecido mito do “príncipe encantado”.

Pessoas perfeitas não existem, isso é a ilusão que muitos ainda insistem em desejar. Mas existem aqueles que poderiam sim se tornar bons maridos e boas esposas, mas será que procuramos nos lugares certos?

As novelas da rede globo, Caminho das Índias (2009), e “O clone” (2002) mostraram não só ao Brasil, mas em todos os países que foram e estão sendo exibidas, que o amor pode ser construído a partir da convivência em que não se há esse sentimento, em que não se inicia a partir de uma paixão como acontece na maioria dos casos nos países do ocidente.

Isso é um fato comum na vida dos mulçumanos e dos Indianos que “adquirem” seus casamentos de acordo com os gostos, castas e interesses de seus familiares. Essas novelas revelaram o que funciona na prática com aqueles povos, que o amor é construído a cada dia, a cada olhar, a cada gesto de carinho ao lado daqueles que demonstram um querer bem e que estão sempre um ao lado do outro seja nos bons ou nos maus momentos.

Poderia então um amor surgir a partir da relação entre amigos?

Para a Aline Paganini da Silva, 23 anos, aluna do sexto semestre de farmácia da UNIP, Isso poderia acontecer sim, mas não com ela, pois em seu caso, não daria certo, somente uma situação de carinho em um momento de carência.

Já a Estudante do terceiro ano do ensino médio, Aline Fidêncio, 18 anos, isso só poderia acontecer se houvesse um interesse antes e além da amizade, algo que possibilitaria a união amorosa entre dois amigos.

Lembrando que um sentimento como esse só é possível e indicado ter por alguém que se conheça bem, Por aquele(a) que você já descobriu a maioria de suas melhores qualidades e a maioria de seus piores defeitos.

Quando começa a fazer mal…

Uma relação amorosa como tudo na vida tem seus dois lados, o bom e o ruim. Alguns relacionamentos podem trazer transtornos, decepções, traumas e até mesmo tragédias na vida de muitas famílias.

Ninguém vem com um manual de instruções ou com uma etiqueta dizendo: Psicopatia – tenha cuidado!

Para se conviver bem é preciso se ter em mente que, antes de mais nada, você se ama e deve sempre se amar em primeiro lugar, ser otimista e ter perspectivas de vida. E só depois disso é possível amar outra pessoa. É necessário ter consciência que existe sim, vida após o término de um relacionamento.

Isso acontece com vários homens e mulheres que se tornam dependentes de seus companheiros. Uma situação onde somente o outro importa, seus gostos, desejos, interesses…

Ao fazer tudo pelo companheiro(a), e esquecendo de si mesmo(a), fica o sentimento que o companheiro também deve fazer o mesmo, mas isso nem sempre acontece deixando o dependente em uma situação de frustração e cobranças, deixando assim, a relação insustentável.

Apesar destes dois sentimentos serem alguns dos maiores objetos de estudos científicos do mundo, não existe uma regra para uma relação dar certo e durar para sempre, mas existe o bom senso de saber que tudo na vida tem limites e que para uma pessoa querer estar ao seu lado e permanecer ali, ela precisa se sentir bem, tranquila, respeitada, protegida, confiante, amada, segura e o mais importante de tudo, especial!

É isso!

@brunofreitasf5

Há sempre uma escolha, há sempre um caminho

Suástica, preconceito, Nazismo e ignorância

Bandeira do partido Nazista

A Suástica, diferentemente do que a grande maioria da população sabe, é um símbolo muito antigo e existe desde os tempos mais remotos da humanidade. Historiadores dizem que eram usados em ferramentas e cerâmicas pelos índios Hopi, pelos Astecas, os Celtas, os Budistas, os Gregos e até os Hindus. Alguns autores acreditam que a Suástica tem um valor especial por ter sido encontrada em muitas culturas sem que elas possuíssem contato umas com as outras. Talvez até tenha sido trazida de fora da Terra – o que eu também acredito. Este símbolo também é utilizado em diversas cerimônias civis e religiosas da Índia: muitos templos indianos, casamentos, festivais e celebrações são decorados com Suásticas. O símbolo tem uma história bastante antiga na Europa, aparecendo na cerâmica da pré-história de Troia e Chipre. Ela é um símbolo místico, que pode significar força, trabalho, fartura, boa sorte e proteção contra o mal. De origem desconhecida.

Tamanha era a admiração e a devoção por este símbolo que, Adolf Hitler escolheu a Suástica como a bandeira do Partido Nazista. A partir daí, ela começou a ser associada ao Nazismo, ao racismo, à 2ª Guerra Mundial, ao ódio e ao Holocausto.

Monumento Budista

E você acreditava que ela era única e exclusivamente o símbolo do Nazismo? Uma invenção da mente doentia de Hitler? Lembro-me do preconceito dos participantes do BBB 10 e até mesmo de uma parte do público que assistiu o programa, repudiando e criticando a tatuagem deste símbolo em Marcelo Dourado, que por sinal, foi o campeão daquela edição.

Eu notei que ele era o único verdadeiro ali dentro, o único que não criou um personagem patético, que não forçou ser hipócrita e politicamente correto. Tinha a sua visão do mundo, ultrapassada, diga-se de passagem, mas deve ser respeitada como a de qualquer outro. Ele pode até ser acusado de homofobia na rua, mas no programa ele não foi e passou longe disso.

Pedro Bial, comandante daquela “nave”, disse naquela noite: “Quem não queria ter uma segunda chance, poder voltar a fita, viver de novo?”. A princípio, nem a Casa do BBB e os telespectadores haviam gostado. Mas com o tempo isso mudou. As pessoas viram que ele conviveu com o que não conhecia, com o que temia e principalmente com o que (ou quem) não gostava. Nas 10 edições houve mais de 2 bilhões 538 milhões e 951 mil votos. Só para a final que deu a vitória à Dourado foram quase 155 milhões. Só para ele (vencer) foram 60% deste número, um recorde mundial. Comparado com a edição 4 em que ele participou e foi eliminado, a maior parte do público evoluiu também, se manifestou e o aprovou desta vez.

Marcelo Dourado – Vencedor BBB 10

Então se você encontrar alguém por ai com este símbolo (sem a bandeira vermelha de fundo “Nazismo”, é claro) não se assuste, ele não pertence a uma facção criminal. O símbolo serve apenas como um amuleto de sorte e proteção. Quebre o mito que foi criado e preocupe-se mais com os que usam colarinho branco, esses sim, são perigosos de verdade.

É isso!

Bruno Freitas

Programa Chávez

 

Quem somos nós?

Para você que está chegando agora, bem vindo à Terra, um planeta coberto por água salgada, monóxido de carbono, muito concreto e com cerca de três bilhões de espécies conhecidas. Uma delas somos nós. Vivemos em um lugar movido por papéizinhos coloridos com números que normalmente indicam o quanto você vale, quanto mais você as colecionam, mais importante você é. Aqui funciona assim!

Somos de uma terra onde há pouco mais de dois mil anos atrás um homem foi açoitado, humilhado e pregado em uma cruz de madeira só por falar sobre amor e ensinar que as pessoas deveriam ser legais umas com as outras.

Somos de uma raça que chamamos de “ser humano”, ou melhor, Homo sapiens, que significa “Homem sábio”. Não, isso não foi uma piada é assim que nos auto intitulamos. Ok, tudo bem, tenho que admitir, parece realmente uma piada. Somos uma forma bípede baseada em carbono e células orgânicas. Estamos neste exato momento em um planeta insignificantemente minúsculo comparado com a imensidão de um universo com aproximadamente 15 bilhões de anos e que possui cerca de 200 bilhões de galáxias. Em uma delas, estamos nós, rodeados por 100 bilhões de pontinhos brilhantes que chamamos de estrelas que são tão bonitas que nunca temos tempo de parar um minuto sequer para admirá-las.

Aqui vivem mais de 7 bilhões desses seres humanos e ainda tem gente que acredita que está no centro do universo. Dizem também que o que nos difere das outras espécies é a inteligência, ou seja, nada! Talvez possamos ser diferentes porque destruímos o que é nosso e as outras não, ou melhor, o que não é nosso, pois aqui é só um “apartamento alugado”. Estamos só de passagem. Somos uma espécie que depende da água para viver, mas não a economizamos. Precisamos das árvores para filtrar e produzir oxigênio para a nossa sobrevivência, mas ao invés disso, a destruímos para construir coisas que no futuro irão depender do que destruímos. Confuso, não?

Somos uma espécie nova que tem muito o que aprender e evoluir ainda, mas não garanto, nem que a Terra e nem que a eternidade terão tempo suficiente para esperar.

É isso!

Bruno Freitas

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